Wednesday, February 10, 2010

Nihil Obstat

Guilherme Augusto Rodrigues

Era noite, o céu azul-roxeado com algumas estrelas, eu estava ali, quieto, tímido, triste, amedrontado. Na imensidão do mundo, na companhia de todas aquelas estrelas e eu sem nada para fazer, apenas olhava, mantinha os olhos por todos os lados. Certifiquei-me de que não estava sonhando. Eu estava? Avistei uma lagoa, calma, escura e às vezes
surgia algumas marolas, bem suaves e um barulhinho na água. Ao redor, havia árvores, muitas árvores de diversos tamanhos muito retorcidas. Elas iam se desfazendo, esfarelando, com o toque de minhas mãos. O lugar angustiava. Eu tive um ímpeto de me jogar na lagoa e me atirei. A água, agora, era o meu mundo. Sentia-me forte, revigorado. Tinha me esquecido de tudo o que foi meu um dia. Mesmo não enxergando nada estava seguro e nadei com leveza para algum lugar do nada. Não havia direção, nem distância. Eu já não era mais eu, era alguma coisa distante muito antes de eu vir a ser eu. O ambiente mudou, tudo já não era o que fora, mas o que era antes de ser o que deveria ser a alguns anos. Eu continuava na água, aqui, acolá. Encontrei outros como eu, estávamos ali, um dependia do outro, mas para nós pouco importava. Fui mais além, distante, ao longe, me tornei uma sombra etérea entre o ser e o estar. Logo ali. Vi num segundo todo o tempo. As nuvens, as águas, as estrelas e as montanhas. Pela fresta, tímida, quieta, uma flor nascia, sozinha, no solo agreste.

2 comments:

Tatyanny Nascimento said...

Considerei o seu melhor texto! Boa sequência e ritmo. Cativante, instigante. Parabéns!!!

marcia szajnbok said...

muito bom, guilherme... poesia em prosa na melhor forma!
abço