Guilherme Rodrigues
A sala de cinema é um dos lugares mais interessantes que existem.
Está longe de ser algo normal. Não é apenas assistir a um filme,
isso faço em casa. Vai além. Frequentar a sala de cinema envolve
mais emoções e sensações.
Quando entro ali perco a noção de tempo. Tenho a impressão de ter
passado horas e horas. É noite? É dia? Nem sei mais. Também me
sinto isolado do mundo. Apenas existe a sala de cinema e ela passa a
ser todo o mundo.
Pode chover, nevar, acontecer catástrofes, guerras, o mundo acabar
e a sala de cinema estará imune a tudo isso. Ela é indestrutível.
O filme me faz manter no presente, me emocionar, entristecer, ser
corajoso, ter medo, torcer, me afligir junto com as personagens. É
quase como se eu vivesse aquelas viagens, aquelas grandes aventuras,
aquelas batalhas, andasse pelas florestas, mudasse para um mundo
fantástico, me apaixonasse.
O filme, no cinema, tem a incrível capacidade de me mudar. Assim
quando lemos uma poesia, um livro, que fazem despertar alguém aqui
dentro de nós. Um outro Eu que apenas estava adormecido. No fim,
tenho a certeza de que não sou mais o mesmo de há pouco tempo. Saio
revigorado, mais animado. É o que torna tão fascinante o cinema:
experimentarmos os sentimentos das personagens e através deles nos
mudar.
Quando deixo a sala de cinema percebo que passei algumas poucas
horas e que o mundo está ali, um pouco diferente, um pouco mudado.
Sim. De fato, ele mudou, mas a maior mudança ocorreu em mim.
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