Thursday, August 1, 2013

Sonho da Noite

Guilherme Rodrigues

Venha, venha ver a esplendorosa Noite que irradia sonhos em sua tão brilhante escuridão!
As cortinas se abrem, começa o espetáculo! Magnífica é a Noite, que extasiados vemos, com olhos parados e reluzentes, todos esses sonhos se desenharem no céu em vibrantes tons rubros, purpúreos e nas estrelas etéreas e esbranquiçadas que passam anos em um piscar de olhos sem que percebamos, petrificados. Permanecemos ali, sentados, vendo estrelas que não existem mais. Sonhos que permanecem.

Ouça, ouça a música que a Noite dedica e dedilha aos nossos ouvidos. Os pirilampos dançam sob o céu frio, negro.
Essa grandiosidade da Noite que nos faz tão pequenos e tão grandes, reconfortados e solitários. Temos porções de alegria e loucura. Vertemos lágrimas pelo espetáculo a que assistimos, pelo que fomos, somos e seremos em um momento, ao mesmo tempo, e apreciamos este sentimento. A Noite, a encantadora e misteriosa Noite.
E quantas estrelas que já se foram, mas continuam a brilhar por nós?
E neste estado petrificado, morrediço, mas tão lúcido, a Noite é um universo, a eternidade que passa devagar diante dos nossos olhos. Nós, fuligens, pequenos planetas, perdidos e tão certos.
Surgem crianças lá no alto, correndo, brincando, rindo... Adiante, um bebê nasce... Uma estrela a cintilar... Uma  família está se confraternizando... Ah... olhe como aquele casal se abraça e se ama... Os olhos brilham... Alguns passarinhos voam para longe... Sonhos perambulam a escuridão reluzente... Um homem ensanguentado  se levanta, forte, imponente e, revigorado, vai à luta.
O céu ganha mais cores, verde, azul, amarelo, branco... A música se intensifica, tambores começam a rufar, cada vez mais alto e cada vez mais forte, as cores celestes, mais vivas, a se moverem rapidamente, uma chuva de meteoros invade a imensidão e depois uma estrela risca veloz a Noite e todas as outras oscilam freneticamente. Então, em um estouro, tudo volve a suavizar, a música torna-se doce. As cores, ainda tão vivas, se harmonizam. As estrelas voltam a cintilar normalmente, lentamente. Uma brisa gelada passa e começamos a esfarelar, areia ao vento, e viramos partículas que se desprendem uma da outra, flutuam, pirilampos, ganham os céus.

No comments: