Guilherme Rodrigues
A noite estava linda e fresca, bem estrelada, e fazia horas que ele estava ali, silenciosamente, debruçado à janela observando-a. Uma rosa adormecida.
Vagarosamente, ela se levanta e se espreguiça, ele se assusta e se esconde, mas permanece ali. Espia e torna a se esconder. Em silêncio e sem ser vista, ela, de repente, abre a janela – ele toma um susto, atônito –, pula e defronta com o garoto, boquiaberto. Para ela, não era surpresa, já tinha percebido sua presença faz tempo. Ela apenas sorri.
Com muito cuidado, desceram do telhado pela primavera. Deram-se as mãos e atravessaram o gramado da casa. Os longos cabelos dourados dela e sua camisola azulzinha esvoaçavam à brisa noturna.
Chegaram ao bosque e subiram numa árvore, se sentaram bem juntinhos. O céu azul-roxeado. A lua cheia iluminava a noite.
– As estrelas são pequenos animaizinhos místicos e a lua a mãe de todas essas criaturinhas. Lá em cima tenho certeza que há uma outra pessoa também nos observando, talvez uma criança.
– Que lindo! Nunca pensei nisso. É encantador!
Admiravam a lua cheia, as estrelas e o azul-roxeado do céu. O lindo balé das estrelas. Elas dançavam e cantavam com vozes e movimentos romanticamente suaves e belos, jamais vistos antes. A lua era uma maestrina entre elas, ditando o ritmo, também dançava de uma maneira engraçada, muito linda. Eles se olharam. A bochecha branquinha e rosada dela. Ele a beija e sorriem um para o outro. Beijam-se e permanecem ali, contemplando a noite. O desejo tinha se realizado.
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