Thursday, March 17, 2011

Ludos

Guilherme Rodrigues

Certa vez, surgiu em meu jardim uma pequena planta que cultivei com muito carinho. Todos os dias, pela manhã, afofava a terra, regava e conversava com ela, como faço com todas as minhas plantas.

Esta plantinha tão graciosa se tornou uma frondosa árvore de intenso frescor. Dela  brotavam os frutos mais maravilhosos já vistos. Tinham um aroma enebriante e qualquer um que visse esses frutos, imediatamente, correria para apanhar e saboreá-los.



Infelizmente, nunca pude saborear nenhum desses frutos. No instante seguinte, que eu apanhava,  eles murchavam e apodreciam na minha mão. Esfarelavam. Mesmo assim, continuei cultivando-a com todo carinho.
Certo dia, numa manhã amena e florida, percebi que tinha cultivado uma árvore podre. Uma árvore que desde o princípio sempre foi podre e feia. Sem perder tempo, cortei-a.

Meu jardim voltou a beleza de outrora, mas a sombra daquela árvore ainda paira por ele. Às vezes, olho o jardim como se ela estivesse lá, com sua frondosa copa, seu intenso frescor e seus maravilhosos frutos.

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