Thursday, February 12, 2009

Sentir

Guilherme Augusto Rodrigues

Era sábado de manhã e resolvi fazer uma surpresa a Fernando e fui até o apartamento dele. Depois de uns dez minutos de ter chegado, ele me atendeu com cara amassada de sono e cabelo mais revolto do que antes.

– Bom dia, dorminhoco! Vim buscá-lo para irmos ao parque. Está um lindo dia e não podemos perder.

– Que surpresa – disse ainda sonolento –, não esperava por isso. Por favor, entre e fique à vontade. Vou tomar banho, me despertar para irmos – parecia que falava automaticamente embriagado de sono.

Fiquei na sala. Era a primeira vez que vinha na casa dele. Um ambiente peculiar e muito interessante: poucos móveis, uma pequena e antiga televisão que nem devia funcionar, e no canto uma estante, não muito grande, com bastantes livros. Tinha os grandes filósofos alemães Nietzsche, Schoppenhauer, Marx. Uma porção de escritores brasileiros: José de Alencar, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, Monteiro Lobato, Cecília Meireles e muitos outros. Uns CDs de música erudita e clássicos da MPB espalhados pelo chão em um canto.

Fui para a cozinha e tive vontade de fazer um café e pãezinhos com manteiga na sanduicheira. Terminado tudo, apareceu ele.

– Você está animada hoje. Que beleza de café da manhã.

– Eu também não tomei café e achei que deveria preparar – disse sorrindo.

Tomamos o café e saímos.

– Você tem ótimos livros. Fiquei fascinada.

– A arte me dá uma outra forma de ver o mundo. Uma percepção mais aguçada. Apalpar com mais suavidade e destreza isso me completa e me faz crescer. E a cultura brasileira é fantástica!

Puxa, nunca tinha visto ninguém sintetizar tão bem o que é a arte e reconhecer com tanta vivacidade o que é nosso. A cultura brasileira é fantástica!

Caminhamos em silêncio pelo parque. Andamos pelo gramado. Inalamos o aroma fresquinho da natureza. Demo-nos as mãos e sentíamos um no outro. Um só ser. Nos Beijamos.



Esta história, continuação de "Reencontro", o primeiro capítulo, se encontra inacabada e sem previsão de sequências. Obrigado pela compreensão.

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