Guilherme Rodrigues
A minha diferença é que nunca consegui enxergar a escuridão. Não que não tenha sentido medo, angústia, pavor. Mas quando fecho os olhos ou fico num ambiente de total escuridão, não consigo vê-la. Não totalmente. Sempre tem algo mais.
Vejo cores e imagens surgem na escuridão. Presto atenção. Formam círculos verdes, vermelhos, amarelos, diversas cores. Formam flores. Abrem-se portas seguidas de corredores. Vejo pessoas. Tantas outras. E sou eu. Percebo meus pensamentos. Eles se transformam. Viram imagens e divago.
Também nunca consegui escutar o silêncio. Para mim, ele não existe. Quando estou num local de total silêncio, ouço sons que estão a quilômetros de distância. Muitos vêm de outros mundos. Escuto o ritmo do meu coração, um tambor, os estalidos e zumbidos dos meus ouvidos. Sinto, ouço, toco, vejo o caminho.
Imagens formam sons, sons criam imagens e viram músicas audiovisuais. São os personagens que têm vidas. Apenas observo. Cantam, dançam, festejam, choram. Esses meus pensamentos caminham por locais existentes só em minha mente. Palpável. Distante. Disforme. Lindos, grotescos, profanos. Afligido. As janelas abrem-se para outros mundos.
No comments:
Post a Comment