Guilherme Augusto Rodrigues
Observo pelo canto dos olhos. Convidando-me, desejando-me. Imagino-me passando as mãos, arranhando e enchendo de beijos. Mas deixo para depois. Quanto arrependimento! A vontade passa e vou embora. Fingindo nada acontecer. Privando-me do que mais gosto. Da próxima vez será diferente! Te pegarei de jeito, rápido, sem pensar, acariciando, rasgando! E se não me satisfazer; começaremos de novo!
É mais do que um objeto, sem vida, em branco, frio que me serve em um momento de prazer. É meu companheiro, meu confessionário. Amigo de todas as horas, de viagens. E no quarto viajamos bem longe. Ou num dia sem graça, só judio de ti. Encho de bobagens que nada vão nos servir, e, calado, não me diz nada. Faz parte do processo. Desorganizo. Mas preciso experimentar, analisar, refazer. E serve para isso: registrar minhas ideias absurdas que um dia acredito que se tornarão grandes. Conseguimos criar coisas maravilhosas. Depois fico hipnotizado com tanta beleza. Meu coração reconfortado.
Quantas vezes senti falta, ansioso, louco para poder contar tudo que aprendi e criei, mas estava longe. Sonhando com aqueles momentos quentes. Quando mais quero, mais distante está. Tenho que ficar dias sozinho matutando, experimentando mentalmente e de propósito me atormentando para, enfim, esquecer tudo e voltar sem um beijo.
São momentos mágicos que durariam para sempre. Quantas revoluções faria. Se não fosse meu descuido, minha preguiça e minha distância. Não parece, eu luto para que nenhum mal aconteça e se repita. Mas sou vencido. Castigado.
Penso em desistir, mas lembro que posso, tomo consciência da minha importância, e da tua para mim, também. Da minha capacidade. Quero um lugar entre os grandes, e farás parte dessa caminhada junto de mim. Sempre!
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